O que é o Crédito Habitação Jovem?
O Crédito Habitação Jovem é um conjunto de medidas criadas para facilitar o acesso à compra da primeira habitação por parte dos jovens em Portugal.
Em 2026, o principal apoio continua a ser a garantia pública do Estado, que permite aos bancos conceder financiamento até 100% do valor do imóvel a jovens elegíveis, eliminando a necessidade de uma entrada inicial em muitos casos.
Esta medida junta-se ainda a benefícios fiscais como a isenção de IMT e Imposto de Selo na compra da primeira habitação, desde que sejam cumpridas as condições legais aplicáveis.
O que mudou no Crédito Habitação Jovem em 2026?
Durante 2026 mantêm-se em vigor as medidas introduzidas para apoiar os jovens na compra da primeira casa, destacando-se:
Garantia pública do Estado até 15% do valor da transação;
Possibilidade de financiamento até 100% do valor do imóvel;
Isenções fiscais para jovens elegíveis na aquisição da primeira habitação própria e permanente;
Limite máximo do imóvel fixado em 450.000€.
Importa referir que, segundo a informação divulgada pelas instituições financeiras e entidades especializadas, a garantia pública está atualmente prevista para contratos celebrados até 31 de dezembro de 2026.
Como funciona a garantia pública do Estado?
Tradicionalmente, os bancos financiavam apenas entre 80% e 90% do valor do imóvel, obrigando os compradores a suportar a chamada “entrada”.
Com a garantia pública:
O Estado atua como fiador perante o banco;
Pode garantir até 15% do valor da transação;
O banco pode financiar até 100% do valor do imóvel;
O jovem continua a ser responsável pela totalidade do empréstimo.
É importante esclarecer que o Estado não paga a casa pelo comprador. A garantia serve apenas para reduzir o risco da instituição financeira e facilitar a aprovação do crédito.
Quem pode beneficiar do Crédito Habitação Jovem?
Para aceder à garantia pública do Estado, é necessário cumprir cumulativamente vários requisitos.
Ter entre 18 e 35 anos
Os beneficiários têm de ter idade compreendida entre os 18 e os 35 anos na data de contratação do crédito.Comprar a primeira habitação própria e permanente
A medida destina-se exclusivamente à aquisição da primeira casa para habitação própria e permanente.Não possuir habitação
O candidato não pode ser proprietário, nem coproprietário, de prédio urbano ou fração habitacional à data da candidatura.Ter situação fiscal e contributiva regularizada
É obrigatória a inexistência de dívidas à Autoridade Tributária e à Segurança Social.Respeitar o limite de rendimentos
Os rendimentos do agregado não podem ultrapassar o 8º escalão de IRS, um limite de 86.634€ em 2026.Comprar um imóvel até 450.000€.
O valor da operação não pode exceder os 450.000€.
Que imóveis estão abrangidos?
A garantia pública aplica-se apenas à compra de habitação própria e permanente. Não se aplica a:
Construção de habitação;
Obras;
Imóveis para investimento;
Segunda habitação;
Leasing imobiliário.
Posso financiar 100% da compra?
Potencialmente sim. A grande vantagem da garantia pública é permitir aos bancos financiar a totalidade do valor de aquisição, desde que o comprador cumpra todos os critérios de elegibilidade e a instituição financeira aprove a operação. Contudo, isso não significa que todos os pedidos serão aprovados.
Os bancos continuam a analisar:
Rendimentos
Estabilidade profissional;
Histórico financeiro;
Endividamento existente;
Taxa de esforço
O que muda na análise da taxa de esforço a partir de agosto de 2026?
Apesar da garantia pública permitir que muitos jovens acedam a financiamento até 100% do valor do imóvel, a aprovação do crédito continua dependente da análise de risco realizada pelos bancos. Em 2026, a taxa de esforço ganhou ainda maior relevância, numa altura em que as instituições financeiras passaram a adotar critérios mais conservadores na avaliação dos pedidos de crédito habitação. Segundo diversas entidades no setor, a partir de agosto de 2026, existe uma maior exigência relativamente ao peso que a prestação mensal pode representar no rendimento do agregado, sendo frequentemente referida uma referência de 45% como limite máximo considerado confortável.
Na prática, isto significa que um jovem pode cumprir todos os requisitos da garantia pública e, ainda assim, ver o crédito recusado caso os seus rendimentos não sejam considerados suficientes para suportar o empréstimo.
O Crédito Habitação Jovem elimina todos os custos da compra?
Não. Mesmo beneficiando de financiamento até 100%, os compradores devem contar com despesas associadas à aquisição, nomeadamente:
Escritura;
Registos;
Eventuais custos bancários;
Seguros obrigatórios;
Outros encargos administrativos
No entanto, os jovens elegíveis podem beneficiar de isenções específicas de IMT e Imposto do Selo previstas para a aquisição da primeira habitação própria permanente.
Vale a pena recorrer ao Crédito Habitação Jovem?
Para muitos jovens, a principal dificuldade na compra de casa é reunir a entrada inicial exigida pelos bancos.
A garantia pública veio precisamente responder a esse desafio, permitindo antecipar a compra da primeira habitação sem necessidade de acumular dezenas de milhares de euros em poupanças.
Ainda assim, é fundamental não olhar apenas para o valor financeiro. Antes de avançar, é importante analisar:
Capacidade financeira mensal;
Estabilidade dos rendimentos;
Taxa de esforço;
Perspectivas profissionais futuras;
Custos totais do empréstimo.
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